Corpo e vapor

Corpo, aglomerado de átomos em perfeita fusão, dançando até dar forma ao abrigo, ao espírito que retorna. Corpo que evapora e também neblina, turva, escurece. Corpo, caverna do espírito que foge das nuvens negras, tendo antes juntado todas elas. O favor da tempestade nunca é percebido, pois o homem na carverna vive morto, se alimenta de medo, bebe seu póprio veneno e morre depois. Corpo de peito aberto tem seu banquete na chuva e no mar. Celebra entre amigos. Suas percepções dançam, seus olhos brilham e seus modos, gritam. Morre muito antes. E de mim e de ti, o que restará? Todo corpo evapora, todo espírito baixa. Razão sempre há de chover.

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